quarta-feira, 24 de março de 2010

Limpeza

No dia 20 de Março, Portugal foi limpo! Muitas pessoas participaram na iniciativa “Limpar Portugal”.
Não participei, porque apesar de pensar que é com este tipo de iniciativas que se podem sensibílizar os mais porcalhões, eles (os porcalhões) também não participaram. A ideia é boa, teve sucesso, e temos alguns recantos bem mais limpos.
Aquilo com que eu não concordo, tem a ver com o facto dos indivíduos que sujam, as pessoas que não tem carácter cívico, aquelas que realmente fazem lixeiras em todo o lado, não serem “obrigadas” a limpar.
Quem esteve envolvido no movimento “Limpar Portugal”, são indivíduos que pelo seu espírito cívico, não sujam o que limparam, ao contrario dos porcalhões que deitam todo o tipo de lixo no chão, que não respeitam nada nem ninguém, esses sim deveriam ser educados, deveriam ter como “castigo” limparem tudo o que sujam.
A questão não passa só por termos um Portugal com melhor ambiente. O aspecto dos espaços públicos e as consequências que podem advir do facto de haver lixo por todo o lado, também são importantes. Não é só nas matas e jardins que os nossos concidadãos deitam lixo, algum dele até é bio-degradável, além dos mau aspecto não causa danos no ambiente. É verdade que ninguém gosta de fazer um pic-nic junto de um monte de lixo, que alguém por preguiça lá deixou do repasto anterior. Agora será que alguém gosta de andar na rua a pisar restos de comida e os detritos, que os porcalhões trouxeram de casa e deixaram onde lhes deu mais jeito?
Estes actos podem ter consequências bem gravosas. Vamos só imaginar a celebre escorregadela na casca da banana! Alguém mandou para o chão só porque é porco, uma casaca de banana, e que vem atrás escorrega e cai, uma risada é a primeira reacção! O que as pessoas esquecem são as consequências desse acto irreflectido, os danos que podem ser causados a terceiros. Uma perna partida, uma cabeça rachada… É correcto que alguém tenha que sofrer fisicamente pelo facto de alguém sem civismo fazer o que lhe apetece?
Outro dos pecados que se cometem pelas ruas e jardins das nossas cidades, são os dejectos dos animais de estimação. É crime, é perigoso para a saúde. Vamos só imaginar que uma das nossas crianças, que ainda está a aprender a caminhar cai em cima duma dessas porcarias, e que quem a acompanha, porque não viu, a deixa levar as mãos à boca. Quais são as consequências? Que damos podem ser causados a essa criança? Que responsabilidade deveria ter o dono do referido animal de estimação, que a única coisa que estima é o seu próprio ser?
O quem em minha opinião deveria ser limpo é a falta de civismo que existe! Essa sim é uma tarefa muito árdua e que teria que passar por um investimento na educação das pessoas, para adequarem a sua forma de viver ao bem estar da sociedade na qual estão inseridas.
Há pequenos pormenores, atitudes simples que facilitam a vida de todos. Se não sujarmos, não temos que limpar. Se, se evitar atirar para o chão, o papel da pastilha e a própria pastilha, a casca da fruta e tantos outros pequenos objectos, as nossas ruas estariam muito mais limpas.
Não teríamos que perder tanto tempo a tirar da sola do sapato, a pastilha que pisamos e que nos sujou a casa toda.
Um destes dias, ao chegar a casa estava um cãozinho preso por uma trela, segura por outro animal este supostamente racional, a urinar à porta do meu prédio. Perguntei à senhora se estaria correcto deixar o seu animal de estimação urinar na minha porta, ao que a senhora respondeu: - “que mal tinha? Era só um xixi do cãozinho”. Respondi à senhora que a partir daquele momento também eu poderia satisfazer as minha necessidades fisiológicas na sua porta, podendo a senhora ficar descansada, correria menos riscos do quem passa à minha, pois a minha urina é analisada regularmente e não sou portador de nenhuma doença! O mesmo já não podendo afirmar a senhora no que dizia respeito ao seu animal.
Parece pouco sensato, mas estamos a falar de comportamentos pouco sensatos! Como tal não vejo diferença, na falta de respeito e de sensatez de ambos os lados. Usei este argumento com a pessoa em causa para lhe tentar chamar à atenção da falta de respeito que a mesma estava a ter com todos os seus concidadãos. Se qualquer pessoa defecar em local publico, isso é entendido como um acto repugnável. Porque é que os animais portadores de coleira o “podem” fazer? Não são os donos dos mesmos pessoas repugnáveis?
Um pouquito mais de respeito, mais civismo, e melhor educação, iria tornar o nosso mundo num mundo bem mais limpo!

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