quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Era uma vez uma "amizade"!

Há temas que são mais complicados e sensíveis que outros, a amizade é um deles.
Teorias há muitas, aplicações práticas outras tantas, o que é certo é que nos dias que correm, os verdadeiros amigos são uma espécie em vias de extinção.
A verdadeira amizade deve ser uma estrada, com dois sentidos e onde é permitida inversão de marcha. Dois sentidos, porque haverá alturas em que as direcções tem que ser necessariamente diferentes, porque haverá alturas onde o caminho será feito lado a lado, porque haverá alturas em que um dos amigos tem que ser ultrapassado pelo o outro, porque haverá alturas onde um deles tem que voltar atrás. Uma das máximas que aplico, “amigo não empata amigo” é a aplicação pratica da “estrada de dois sentidos”.
Como em todas as relações, sempre que há duas pessoas, há duas opiniões, duas sentenças sobre o mesmo facto, há divergência de opinião, mas deve ser essa divergência que nos une, que nos torna mais fortes, mais amigos. É com as divergências de opinião que evoluímos e nos desenvolvemos intelectualmente. Se todos aceitarem os nossos pontos de vista, se todos tomarem as nossas decisões e opiniões como as mais acertadas, nunca nos iremos aperceber que há outras visões sobre o mesmo assunto que são muitos mais interessantes que a nossa. Nunca mudaremos de opinião, nunca cresceremos intelectualmente.
Para mim a amizade é um sentimento “sério”, os amigos são algo de muito precioso para mim. Amigo, não é uma palavra que use em vão, quando chamo Amigo a alguém é porque sinto essa pessoa como tal. Amigo é alguém incondicional, que concordando ou não está lá quando faz falta. Amigo é estar num “nivel superior”, onde muito do “lixo toxico” que se produz a nossa volta, não chega ou não causa efeitos secundários. Ser Amigo é partilhar o que a vida tem de melhor, mas também as agruras que ela nos vai mostrando. Ser Amigo é apagar os erros com a “borracha” das virtudes. Ser Amigo é ser capaz de fazer mea-culpa, assumindo os erros e os danos causados com os mesmos, prontificando-se para os reparar ou suavizar.
Seria capaz de estar aqui o resto do tempo a encontrar definições para a amizade, mas todas elas seriam sempre e só as minhas definições da minha forma de ver este tipo de relacionamento. No entanto há “regras” e definições que são universais. A tolerância, a compreensão, a fidelidade. São estes sim os pilares de uma amizade. Quando um deles não existe, não há amizade, há interesses, há hipocrisia!
Há uns tempos a esta parte tenho vindo a “perder” um amigo, não porque a sua presença física tenha sofrido alguma mutação. Mas sim, porque percebi que por mais que eu tentasse encaixa-lo nos “meus” padrões de amizade, havia sempre algum que lhe escapava, que não cumpria. Continuo a ter por ele o respeito, a admiração e a gratidão que me mereceu durante os anos que levamos de convívio. Nem podia ser de outra forma, não posso nem quero apagar o passado, o que me tornou naquilo que me orgulho de ser. No entanto não posso continuar a apelidar de “inseparavel”, “incondicional”, enfim de Amigo, alguém que não cumpre aqueles que são os meus requisitos mínimos.
Tenho vindo a certificar-me também, que realmente aqueles que são mesmo amigos, nunca o deixam de ser. Nunca se perde um Amigo. Separamos-nos sim daqueles que se fizeram passar por isso, daqueles que colocam o seu interesse pessoal, sempre por cima do interesse comum.
Não tenho vindo a perder nada! Tenho vindo a aprender como “gerir” os meus sentimentos e as minha emoções de forma a não cometer os mesmos erros.

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